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sábado, 24 de novembro de 2012

Trecho do livro A casa da Madrinha, de Lygia Bojunga

Leia agora mais um trecho desta fantástica história.

"De repente, assim sem mais nem menos, o Pavão parou na estrada, ficou com um ar muito inteligente, chamou Alexandre:
— Psiu.
E foi só Alexandre chegar perto que o Pavão desatou a contar a vida dele. Mas contava gostoso, falando e rindo normal, jogando as penas pra cá e pra lá na hora de fazer gesto, o olho brilhando, estava todo diferente, parecia um outro bicho.
Alexandre ficou entusiasmado com o jeito novo do Pavão. Toda hora se metia na história pra perguntar: "é mesmo? e isso? e aquilo?" E o Pavão respondia logo, não gastava nem um minutinho pra pensar. Contou coisa à beça. Contou coisa gozada,contou coisa de arrepiar. E aí eles foram enturmando, e quanto mais iam enturmando, mas o papo ia melhorando. Até que lá pelas tantas Alexandre perguntou:
— Mas escuta, Pavão, falaram pra você ir andando toda a vida?
— Falaram pra você ir andando toda a vida?
— Pois é: falaram?
— Pois é: falaram?
— Não, cara! Eu é que tô te perguntando.
— Eu é que tô te perguntando.
Alexandre desanimou:
— Pronto!
O Pavão foi perdendo o brilho do olho, repetiu baixinho "pronto". Foi ficando quieto, cada vez mais quieto.
Aí Alexandre viu que, sem mais nem menos de novo, o Pavão tinha deixado de pensar normal, de falar normal, de mexer...
— Mas pera aí! — Vera resolveu interromper. — O Pavão é maluco?
— Maluco? Que o quê! De maluco é que ele não tem nada.
— Mas então o que é que ele tem?
— É que ele só pensa pingado.
— Ele o quê?
— Ele só pensa umas gotinhas por dia. Atrasaram o pensamento dele.
— Ah, deixa de história.
— Não é brincadeira, não.
— Sério?
— Sério.
— Mas fizeram de propósito?
— Foi.
— E como é que se atrasa pensamento?
— Diz que tem uma porção de jeitos.
— Mas atrasaram no duro?
— É, sim. Antes ele pensava normal e curtia a vida que só você vendo.
— E por que é que fizeram isso?
— Ele nasceu bonito demais.
— Ué, e daí?
— Daí que ele era tão bonito, tão ainda mais bonito do que tudo que era pavão, que vinha gente de todo canto pra ver. Vinha até professor de bicho: esses caras que
passam a vida estudando a vida dos bichos, sabe?, os cobras."


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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O menino azul


O menino quer um burrinho
para passear.
Um burrinho manso,
que não corra nem pule,
mas que saiba conversar.

O menino quer um burrinho
que saiba dizer
o nome dos rios,
das montanhas, das flores,
— de tudo o que aparecer.

O menino quer um burrinho
que saiba inventar histórias bonitas
com pessoas e bichos
e com barquinhos no mar.

E os dois sairão pelo mundo
que é como um jardim
apenas mais largo
e talvez mais comprido
e que não tenha fim.

(Quem souber de um burrinho desses,
pode escrever
para a Ruas das Casas,
Número das Portas,
ao Menino Azul que não sabe ler.)
Cecília Meireles
Leia e viva a história!

Trecho do livro Peter Pan, de James Matthew Barrie, traduzido por Ana Maria Machado.

"- Acordem! -gritava. - Peter Pan está aqui e vai nos ensinar a voar.
João esfregou os olhos.
- Então eu levanto - disse, mas é claro que já estava de pé. - Oi, já levantei!
A esta altura Miguel também já tinha levantado, aceso como um candelabro de sete lâmpadas. Mas Peter, de repente, fez um sinal pedindo silêncio. Ficaram todos com aquelas caras arteiras que criança faz quando fica prestando atenção para ouvir os sons do mundo adulto. Tudo estava em silêncio absoluto. Então, tudo bem. Não, nada disso! Então, tudo mal.[...]

Diga uma coisa, Peter, você sabe voar mesmo?
Em vez de ter o trabalho de responder, Peter levantou voo e percorreu o quarto, se encarapitando em cima da lareira [...]
- Explique, como é que a gente tem que fazer?- quis saber João, esfregando o joelho...
- Pense em coisas bem boas - explicou Peter.
- E esses pensamentos gostosos vão fazer você subir no ar[...]
- Agora eu aprendi Wendy! - exclamou João.
Mas logo descobriu que não tinha aprendido. Nenhum dos três conseguia voar nem um pouquinho.
É claro que Peter estava brincando com eles. Ninguém consegue voar se não estiver salpicado com um pouco de poeira das fadas. Felizmente, como já dissemos, uma das mãos de Peter estava cheia desta poeira encantada. Foi só ele soprar um pouquinho em cima de cada uma das crianças e logo se viram os mais fantásticos resultados."

Leia o livro e divirta-se com as aventuras de Peter Pan e seus amigos!
(MACHADO, Ana Maria, 2006, p.54-57)

Visite a Educopédia e Busque a aula de Peter Pan em Asa de papel! Divirta-se!

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

A fada que tinha ideias - Peça teatral

Em 1971, uma carioca apaixonada por histórias criava uma das personagens mais encantadoras da nossa literatura infantil: Clara Luz - uma fadinha de 10 anos de idade, cheia de ideias  que, cansada das regras estabelecidas pelo Livro das Fadas, resolve fazer tudo diferente. Até então todo o poder das varinhas de condão só servia para desencantar princesas e para fabricar tapetes voadores. Cansada dessa monotonia, Clara Luz decide colorir a chuva, dar voz aos relâmpagos, brincar de modelar as nuvens, ensinar balé às estrelas e até ampliar seus conhecimentos recebendo aulas de "horizontologia"! Para desespero da Fada-Mãe e de todas as outras fadas do céu, Clara Luz não teme as possíveis punições da Rainha das Fadas e faz tudo o que acha que vale a pena fazer. 
Com este enredo ousado, A Fada Que Tinha Ideias, de Fernanda Lopes de Almeida, pode ser considerado um dos maiores sucessos editoriais do país. Há mais de quarenta  anos agrada aos críticos, já vendeu e continua vendendo milhares de exemplares, está na 28ª edição, ganhou vários prêmios, virou peça de teatro, também premiada, e o mais importante: em todo esse tempo conquista crianças e adultos de diversas gerações. 
Você não pode perder!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

André Neves

Conheça os traços marcantes do escritor e ilustrador André Neves. Você vai se encantar!